Como regressar ao Trabalho após a Licença de Maternidade

No âmbito do Dia do Trabalhador a nossa Managing Partner, Susana Leitão, explorou o tema do equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, falando um pouco da sua experiência de regresso ao trabalho, depois de uma licença de maternidade, defendendo a importância do alinhamento entre colaboradores e a respetiva empresa.

"Acredito que o equilíbrio entre uma vida profissional e pessoal pode ser a chave para um colaborador ter uma melhor performance. No entanto, quando uma empresa contrata é crítico aferir-se como é que a sua cultura organizacional impacta nesta questão. Neste sentido, gostava de partilhar a minha experiência recente e a forma como esta impacta no meu dia-a-dia e na minha performance.

Acabada de regressar ao trabalho após uma licença de maternidade de 7 meses, sinto-me uma privilegiada por gostar tanto da minha empresa e daquilo que faço.

Ao contrário daquilo que pensava enquanto estava com a Mariana durante a licença, e do que me aconteceu na minha primeira filha, o regresso foi fácil, retemperador e ainda me sinto mais dinâmica e entusiasmada do que me sentia antes. Estes fatores tiveram um impacto muito positivo nos resultados que tenho conseguido atingir.
 

Qual o segredo?

Bem, em primeiro lugar gostar verdadeiramente do que faço e das pessoas com quem trabalho, depois organizar a minha vida de forma a ser mais eficiente durante o meu dia. Defini de forma estruturada e objetiva as minhas prioridades e a forma como iria gerir o meu work life balance. Neste sentido defini a hora de entrada, mas também a de saída (deixando claro que os dias em que essa hora é ultrapassada são de facto uma exceção). Defini, claramente, quais os meus “momentos sagrados”, obrigando-me a respeitá-los, desligando o telemóvel, email e demais fatores distrativos, reservando para após esses “momentos sagrados” o trabalho, que por vezes tem que ser feito após o “expediente”. E, também, não ter receio em negociar prazos e expectativas dos meus clientes, de forma a não sentir a pressão de poder falhar.

Depois de ter claro para mim como iria passar a ser o meu dia-a-dia, envolvi a equipa (a minha e a de gestão), para que todos pudessem ser cúmplices comigo neste plano. Desta forma, consegui gerir bem as expectativas de cada um, tornando mais fácil para quem trabalha comigo a gestão do tempo em que precisam de mim. Envolvermos quem nos rodeia e a empresa como um todo, é muito importante para garantir que esta “resolução” não prejudica os colaboradores que trabalham diretamente connosco.

Mas sinto que aquilo que tem feito verdadeiramente a diferença é ter percebido que não quero ser uma super-herói e, como tal, que tenho limites aos quais nem quero chegar perto. E acima de tudo, viver bem com os meus limites e partilhá-los com a empresa de forma aberta e descomplexada (confiante de que é melhor para todos, para mim e para a empresa).

Assim, para mim, o primeiro fator para equilibrarmos a nossa vida pessoal com a profissional passa por sabermos aquilo que efetivamente queremos e qual o equilíbrio que para nós é o ideal (há pessoas que legitimamente têm objetivos profissionais mais ambiciosos que os meus, ou outras que valorizam muito mais do que eu a sua vida privada), depois, perceber se estes objetivos estão alinhados com a empresa em que trabalhamos.

Obviamente que os nossos objetivos se vão alterando ao longo da nossa vida, eu própria com 30 anos pensava ou queria coisas distintas das que quero hoje, mas certamente que esta introspeção tem que ir sendo feita de tempos a tempos, sendo que no momento de se aceitar um novo desafio profissional (interno ou externo à empresa em que nos encontramos) é crucial fazer essa avaliação.

Para nos sentirmos equilibrados e felizes com o estilo de vida que pretendemos ter, devemos ser honestos connosco próprios e aferir se a empresa em que estamos ou para onde nos estamos a candidatar, permite que tenhamos esse mesmo estilo de vida.

E como é que isso se percebe? Não ter problemas de, em contexto de entrevista, partilharmos as nossas motivações, necessidades e objetivos para, em conjunto com a empresa, perceber se existirá margem para as colocar em prática.

Este é o ponto de partida para sermos Pessoas felizes que fazem mais, melhor e durante mais tempo.

Susana Leitão