A nova realidade do mercado no Norte do país

Com a retoma da economia temos assistido a uma melhoria acentuada no mercado de trabalho em Portugal, mais precisamente no norte do país. E, nos últimos três anos, temos assistido a alterações no que diz respeito à quantidade e à diversidade de funções e setores, bem como à mudança de mindset dos próprios empregadores.

Por um lado, desde logo pelo número de novas empresas que estão a surgir no Porto, uma vez que é, efetivamente, um mercado apetecível para sectores como o tecnológico e, por outro, o crescimento de empresas que até então vinham a sofrer downsizings profundos, como o sector automóvel.  

Além disso temos assessorado várias empresas internacionais, que se querem estabelecer na zona Norte, a perceberem qual a pool de talento disponível para que o seu crescimento seja sustentável, quais os custos associados a este investimento e qual a melhor estratégia de talent acquisiton. E, com base nestes projetos, temos sentido a dificuldade destas empresas na obtenção de dados fiáveis sobre o mercado, que lhes permitam tomar a decisão final pelo nosso país em detrimento de outros destinos europeus.

Acreditamos assim, que este crescimento poderia ser ainda mais potenciado, caso houvesse uma maior articulação entre diferentes entidades na promoção do Norte como hub atrativo para o estabelecimento de cada vez mais empresas.

 

 

Um novo foco:

Associado à inovação e internacionalização que se tem vindo a sentir é fácil percebermos que o Norte está a tornar-se cada vez mais uma região tecnológica, com as empresas da área a crescerem como cogumelos entre Aveiro-Porto e Braga, e a fazer com que o mercado à sua volta sofra mutações.

Assistimos, ainda, à proliferação de consultoras e recrutadoras que se tornam experts nestas áreas, a par da especialização de Business Developers, Gestores de Marketing e Comunicação, assim como profissionais de Recursos Humanos. E, o nosso olhar para a lei da oferta e da procura diz-nos que a mesma está desequilibrada, de forma invertida, ou seja, a grande preocupação de recrutadores e empregadores, recai agora sobre a escassez de recursos humanos neste sector.

 

A renovação:

Tem sido fantástico viver lado a lado com clientes que ainda há bem pouco tempo estavam em processos de emagrecimento das suas estruturas e que agora ganham cada vez mais projetos internacionais, provando que de facto, nos diferenciamos pela qualidade. Uma alteração que tem feito com que sejam cada vez mais necessários talentos especializados para reforçar estas equipas.

Claro que não é possível esquecer as nossas tradições e é neste tipo de empresas que vemos as maiores reinvenções e assistimos a um forte crescimento, como é o caso do sector dos vinhos. Um sector que tem crescido em quantidade, e em vendas pela exportação, ou mesmo no aumento de recursos humanos, mas não esquecendo a qualidade, no que diz respeito à inovação e reinvenção do seu produto como um todo.

 

As Profissões:

Em termos de profissões, para além das áreas de engenharia que são as mais absorvidas pelo mercado, com especial enfoque para IT, Mecânica e EGI. Os últimos anos têm sido muito favoráveis aos profissionais de Recursos Humanos, que têm vindo a especializar-se, cada vez mais, por áreas específicas (ex: Talent Attraction, Learning and Development) já que os empregadores começaram a perceber cada vez melhor a sua importância, assim como a necessidade de os envolver no negócio e nas decisões estratégicas.

Também as áreas de Vendas e Marketing têm vivido dias felizes. As empresas apostam fortemente em aumentar a sua força de vendas, arriscando na internacionalização e apostando numa estratégia forte de marketing para se fazer valer.

 

Os Talentos:

Por fim, outro dos elementos desta equação, se não o mais importante, são os talentos. Estes são agora mais confiantes e, apesar de estarem muito ligados a uma cultura de aversão ao risco, tornam-se cada vez mais desejosos de mudanças. Querem fazer parte de empresas que identificam como estando na vanguarda, das quais se ouve falar e que lhes proporcionem outras regalias que não apenas financeiras, tais como dias de férias extra, condições de trabalho mais flexíveis, com culturas mais dinâmicas, jovens e que em simultâneo lhes permitam o verdadeiro work-life-balance.  

Sete anos em contacto permanente com empresas e talentos do norte do país mostram-nos que temos candidatos cada vez mais orientados para a gestão das suas carreiras, que sabem perfeitamente qual o próximo passo que querem dar e que questionam sobre a cultura da empresa, pensando no fit que farão com a mesma.

Joana Carvalho