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Ana Silva

Partner da Argo FIT, 45 anos, mãe de uma menina "que é exatamente igual" a si, "com tudo o que isso tem de bom e de menos bom", trabalha hoje num ramo que nada tem a ver com a sua escolha académica, mas que lhe tem trazido um conhecimento enorme.
"Pessoa de pessoas", muito directa e pragmática, tem uma paixão pela dança e não suporta a inércia e a sensação de queda!

 

Há quanto tempo estás na empresa?

Contando com a Jason Associates, 13 anos!... Quando se verbaliza é que se tem a noção!
 

Como foi o teu percurso profissional até chegares aqui?

O meu percurso profissional foi muito atípico, tendo em conta que comecei a trabalhar ainda estava a tirar o curso (Comunicação Social, com especialização de publicidade), num escritório de advogados. Depois, quando terminei, não encontrando trabalho na minha área e, não tendo feitio para estar muito tempo parada, inscrevi-me numa série de empresas de trabalho temporário. Entrei para a Siemens em substituição de uma pessoa durante uns meses e acabei por ficar durante sete anos. Lá passei pelo arquivo, estive como assistente do Diretor financeiro e acumulei, ainda, funções de Marketing.

De saída da Siemens soube que havia uma oportunidade na Jason Associates e decidi conhecer... Recursos Humanos, mais uma vez, nada que tivesse a ver com o que estudei...mas entrei como Office Manager, passando a "Head of Research" (figura que fazia a orientação da primeira fase dos processos de Executive Search) e começando a fazer relatórios, entrevistas e a gerir projetos de A a Z. E foi assim que começou o meu percurso neste sector das "pessoas" .

Ainda dentro da realidade Jason, o meu percurso passou pela criação da Human FIT, empresa que surgiu pela necessidade de alguns clientes em encontrar perfis mais técnicos e operacionais. Aqui ganhei outro tipo de valências, que tinham a ver com a gestão da própria empresa, - mais uma vez nada em que eu tivesse tido formação - o que prova que nesta empresa, não existem carreiras definidas e pré-estabelecidas, mas sim um crescimento que parte da vontade das pessoas e das oportunidades disponíveis.

Por fim, em 2108 assumi a função de partner na Argo Partners, nova empresa, nova marca, mas com a mesma equipa, na qual tenho um orgulho enorme em fazer parte.

 

O que mais gostas no teu trabalho? E menos?

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Aprendi a gostar da componente de gestão de pessoas, principalmente na Human FIT, com a gestão da equipa… Perceber exatamente as motivações de cada uma das pessoas para lhes poder proporcionar o que pretendem. Há pessoas que adoram aquilo que estão a fazer, mas de vez em quando precisam de fazer coisas diferentes e eu acho que consigo, de alguma maneira, que tenham à vontade suficiente para me dizerem, sem filtros e é muito isso que eu defendo na cultura da empresa.

Eu gosto de pessoas. Para trabalhar neste ramo tem que se gostar de pessoas.

O facto de ficares a conhecer a história de vida de outras pessoas e, perceberes como é que ultrapassaram determinado tipo de situações, ajuda-nos até a relativizar as nossas próprias coisas. Porque, efetivamente, há situações muito piores que as nossas e o facto de sentires que estás mesmo a ajudar alguém a racionalizar o que está a fazer, em termos profissionais, ajudar a dar outro passo, não deixa de ser uma coisa duma responsabilidade enorme. Felizmente sinto que, ao longo do tempo, sempre tivemos uma grande preocupação com os candidatos que entrevistamos e não apenas com a entrega aos nossos clientes. São as duas partes da equação e não faz sentido não ser assim.

Colocar a pessoa certa no sítio certo, saber aconselhá-la da melhor forma é, de facto, a parte que eu mais gosto.

O que menos gosto é a parte mais administrativa, mais processual. Adoro entrevistar candidatos, mas fazer os relatórios não é uma coisa que me dê grande entusiasmo, apesar de ser muito organizada e de o fazer bem. Encaro como parte da função, uma necessidade, mas não é aquilo que mais gosto de fazer. Gosto sim, da gestão de cliente.

 

Será que tens uma espécie de bucket list profissional? Podes desvendar um pouco?

Confesso que acho que não. Tenho alguma incapacidade de perspetivar a longo prazo e acho que isso tem a ver com a minha personalidade. Acho que nunca planeei muito, nem nunca fui uma pessoa muito ambiciosa no que diz respeito a funções como a que desempenho hoje em dia. Acho que fui deixando as coisas acontecerem naturalmente.

 

Quem te conhece em ambiente profissional o que é que não conhece de ti?

Acho que sou praticamente a mesma pessoa. Se calhar um pouco mais controlada na maneira como exteriorizo as coisas. Porque quanto mais vou gostando de quem me rodeia, mais à vontade tenho e, portanto, acabo por verbalizar mais sem filtro quando estou chateada com alguma coisa.

A preocupação que eu tenho em casa, ou com as pessoas de quem eu gosto é exatamente a mesma que tenho com as pessoas com quem trabalho. Se pensarmos bem, passamos a maior parte do nosso dia no trabalho, por isso, para mim, se não encarar estas pessoas como parte da minha “segunda família”, por mais estranho que soe, não faz sentido.

 

E ao contrário? Quem te conhece fora do escritório, o que não conhece sobre ti?

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Se calhar não conhece tanto o meu stress de trabalho ligado ao cumprimento de timings. Sou uma pessoa muito orientada para a ação e até posso chegar ao fim do dia sem resultado nenhum, mas vi coisas a acontecer e isso para mim é fundamental e causa-me muito stress quando vejo algum tipo de “inércia” ou o “deixar para amanhã o que podemos fazer hoje”. Acho que consigo lidar melhor com isso fora do escritório, do que dentro. Por isso acho que as pessoas que só me conhecem fora daqui não conhecem essa faceta.

Que projeto mais gostaste de trabalhar até agora? Porquê?

Há clientes com os quais eu gosto mais de trabalhar porque são mais próximos da minha maneira de ser, mais práticos, mais pragmáticos e mais objetivos e sem medo de dizer as coisas menos boas.

Projetos… acho que houve alguns que me fizeram crescer muito, apesar de terem dado muito trabalho. Ter que gerir várias coisas ao mesmo tempo, não é fácil, mas eu gosto e isso deu-me gozo fazer.

Relacionado com a área de recrutamento, adoro as dinâmicas de grupo com jovens, pois sinto que estou mesmo a ser uma mais valia para os "miúdos" que estão connosco, ou seja, mesmo uma coisa que não seria natural em mim - por não adorar exposição - foi algo de que gostei muito... Sentir que, de facto, estou a contribuir para ajudar a pensar e olhar para as coisas de outra maneira, deu-me gozo.

Outra das coisas que adorei fazer foi a organização de um momento de teambuilding... em que tive que tratar da logística toda, desde o hotel até à agenda, os jogos, e ao próprio teambuilding... e depois, ver acontecer - gostei de fazer sempre que participei;

 

Algum candidato que te tenha marcado especialmente, porquê?

Em 13 anos houve muitos. Mas acho que alguns deles me marcaram mais pela história de vida pessoal do que propriamente pela história de vida profissional. Há candidatos que foram meus placements, com os quais ainda falo hoje em dia, que me vão ligando a perguntar a minha opinião sobre determinado tipo de coisas; Mas lembro-me de uma conversa que tive com uma "miúda" que teve uma infância muito difícil, algo que faz com que não seja nada fácil não te deixares abater emocionalmente durante a entrevista.

Damos azo que as pessoas falem abertamente da vida no seu todo, ao partilharmos também o que a nós diz respeito, algo que faz com que, por vezes, se emocionem e, consequentemente, nos emocionemos também.

Ainda noutro dia estava a dar feedback a um candidato num processo de Assessment e ele agradeceu a forma como eu expus a minha vida, antes mesmo de ele começar a falar da dele. Sei que é algo que permite quebrar o gelo, mas depois permite, também, que as pessoas contem coisas que efetivamente impactam no seu dia, no seu trabalho e faz-nos percebê-las um bocadinho melhor.

É esta a diferença das nossas entrevistas, não é mecânico, não estamos ali só para validar CV, temos interesse em conhecer a pessoa.
 

Achas que já começa a haver mais empresas a fazer as coisas desta forma?

Acho que claramente há empresas que não vão sair da “checklist” e nós temos feedback de candidatos que nos dizem que “realmente esta entrevista foi diferente, pareceu mais uma conversa do que uma entrevista, porque estou habituado a ir a sítios onde olham para o meu CV e vão fazendo check aquilo que é a minha experiência profissional e não como pessoa". Eventualmente já deve haver empresas a abordar um pouco mais do lado pessoal do candidato, não sei é se o fazem com a profundidade que nós fazemos.

 

Mudou a marca e o escritório, mas a equipa manteve-se. O que significou tudo isto para ti?

Inicialmente, achei que fosse ter um impacto muito menos positivo em mim, por acaso. Mas fiquei muito contente de termos mudado, sinto que é um escritório que tem muito mais carisma, que é muito mais acolhedor para as pessoas, candidatos e equipa.

Criou-se uma marca nova. Para mim foi algo positivo, mas mais importante foi estar com a mesma equipa, com pessoas em quem eu confio, que eu admiro, outras que vão entrando de novo e que se vai conhecendo, mas as pessoas, para mim, foi o mais importante. Se nos chamamos Argo Partners, ou outro dos nomes pensados (risos), é um pouco indiferente.

 

A dança é uma paixão?

É sim. Não consigo explicar. Acho que é exatamente o momento em que a minha cabeça desliga de tudo o resto e só estou a fazer aquilo. É uma paixão desde que era miúda, porque andei em aulas de dança moderna, jazz, durante muito tempo da minha adolescência. E só voltei a retomar aulas por causa da Jason... Porque num aniversário meu, ofereceram-me uma aula particular de dança. Voltei a fazer uma coisa completamente diferente, uma aula de salsa, e assim que saí da aula fui à secretaria da escola e inscrevi-me.

Deixei as aulas há três anos, mas continuo a ir dançar quando posso. É algo que me limpa a cabeça e a alma. Por norma tenho dificuldade em desligar do trabalho, estou sempre a pensar como é que as coisas estão, como é que correu, será que está a correr bem, mas o momento em que vou dançar é o momento em que eu desligo de tudo, entrego-me a mim mesma e a algo que eu gosto de fazer.

 

Bucket list pessoal?

Tenho algo que quero fazer: uma tatuagem, a primeira. Algo que nunca fiz porque sempre tive medo. Queria voltar às minhas aulas de dança porque adoro e acho que não há assim mais nada de concreto. Adorava ir à Disney e não é tanto pela minha filha, mas mais por mim mesma. Viajar mais, sem dúvida, mas que me permita a mistura entre dias de não fazer nada, e visitar a cidade, estar no meio das pessoas, vê-las a dançar. Ir à Argentina ver o Tango! Gosto dos sítios que permitem esta mistura de coisas. Acho que ir a Cuba e ficar na praia durante 15 dias, não te permite conhecer nada, portanto conseguires viajar para onde quer que seja, mas depois andares a pé pela cidade e falares com as pessoas é isso que te faz conhecer efetivamente os sítios. Quando trabalhava na Siemens e fiz algumas viagens a propósito do Marketing, fui sozinha a Berlim, fui sozinha a Zurique, mas fiz questão de, mesmo sozinha, passar lá o fim de semana, para ir andar a pé e conhecer os sítios e as pessoas. Eu não sou altamente extrovertida, preciso do meu tempo para analisar e conhecer, mas nestas situações, acho que se não for assim não se conhece nada. E de pedir às pessoas locais para nos recomendar sítios não tipicamente turísticos, isso dá-me gozo e queria muito fazer. Gostava de ir a Marrocos para dormir no deserto, por exemplo.

 

O que mudou em ti depois de seres mãe?

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Muita coisa. A Rita tem sete anos e eu, no início, tive muita dificuldade em gerir a vida de casa e a vida do trabalho, porque me sentia sempre em falta com tudo. Se ficasse até mais tarde no trabalho sentia-me em falta com ela, se saísse mais cedo, isto é, à hora devida, sentia-me em falta com o trabalho porque tinha deixado não sei quantas coisas por fazer. Ao inicio foi assim, depois acabei por superar. Hoje em dia tenho que sair a horas para a ir buscar à escola e depois se for preciso trabalhar à noite ou no fim de semana, assim farei. Foi uma gestão diferente. Acho que me tornei uma pessoa muito mais decidida, muito mais de dizer tudo o que penso, do que antes.

Agora acho que vale sempre a pena dizer tudo. Comparativamente ao tempo antes de ser mãe, se calhar agora passei para um extremo oposto. Talvez menos doce, quando são pessoas mais próximas, pois sou mais direta. No entanto, também tenho aprendido a adaptar o meu discurso à maneira de ser das outras pessoas. Acho que o MBTI ajuda imenso a perceber como posso falar contigo ou com a pessoa que está ao teu lado. Tem que ser de formas diferentes. Mas sim, acho que me tornou uma pessoa muito mais decidida, sem medo, muito mais de arriscar… não sei explicar porquê, mas aconteceu…

 

Qual sentes ser o teu maior desafio na tua vida pessoal?

É claramente educar a minha filha. Conseguir ser uma mãe espetacular e olha que ela diz-me as coisas. Quando olho para ela lembro-me de mim com a mesma idade, era exatamente igual. Super refilona, sempre com resposta pronta, pespineta… digo “Rita como é que é possível seres assim?” E depois lembro-me que era exatamente igual. Acho mesmo que este é o maior desafio da minha vida. Dar-lhe as bases para depois ela fazer o caminho dela enquanto boa pessoa.

 

O que é que nunca farias?

Saltar de para-quedas… porque não gosto da sensação de queda... Mergulho, isto é, adorava estar no fundo do mar com os peixinhos, mas meter a cabeça debaixo de água, dois segundos depois vou estar a morrer com a sensação de não estar ao ar livre… não é ser claustrofóbica, mas acho que não conseguiria fazer. Tudo o que tenha a ver com quedas… não! Mas gostaria de fazer asa delta porque é suave.

 

O que mais te irrita?

A inércia. A falta de sinceridade. Sou apologista de: 

“Prefiro uma verdade que doa do que várias mentirinhas que me protejam”.

E acho que algumas pessoas acham que por eu ser fofinha, sou mais frágil, quando não é de todo assim. Portanto sim, falta de sinceridade, desonestidade, traição de confiança…porque eu dou tudo quando confio nas pessoas e por isso, se calhar, também espero mais ou que sejam iguais a mim. Mas de tudo isto, acho mesmo que a inércia é o que mais me irrita. 

 

O que mais gostas nas pessoas?

Muitas coisas. Não é linear. Gosto de pessoas sinceras... Das pessoas que me são muito próximas gosto que me digam o que pensam e não exatamente aquilo que eu quero ouvir, porque isso é o que revela as pessoas que gostam de mim e não é fácil. Porque é muito mais fácil dizer-te o que queres ouvir do que propriamente “não concordo nada contigo”. O meu pai tinha uma expressão muito gira que era “Estás sempre contra mim” e não era isso. Tinha a ver com o facto de eu analisar as coisas de maneira racional, por isso não estou do lado de ninguém, mas sim do que é justo. E acho que isto me foi ajudando a crescer ao longo do tempo, ter pessoas que me dizem não o eu quero ouvir, mas sim o que eu preciso de ouvir.

Depois gosto de pessoas que tenham a mesma dose de loucura do que eu. Que saiam do trabalho às 9 da noite numa sexta feira, depois duma semana horrível no trabalho e queiram ir beber um copo, espairecer. Porque eu sou assim, enquanto há pessoas que saem e querem ir enfiar-se em casa, isso é uma das piores coisas que me pode acontecer, eu preciso é de estar com pessoas, no meio da confusão e por isso gosto de pessoas que me façam companhia.

Gosto de pessoas que façam cedências, nós não temos e não devemos ser clones uns dos outros, ou gostar todos da mesma coisa.