Headhunting no Jornal Económico, por Filipa Leite Castro

Numa fase em que o mercado se destaca pelo elevado número de profissionais qualificados para as mais diversas funções, é cada vez mais pertinente garantir que recrutamos ou ajudamos a recrutar os profissionais certos para o lugar certo.

Não se trata apenas de um processo de match entre as competências técnicas e os requisitos da função, mas sim de um processo mais complexo e profundo que implica uma série de variáveis que devem ser consideradas com o devido tempo e atenção. O nosso advisory questiona muitas vezes a forma como a equipa está organizada, chegando mesmo a sugerir alterações à estrutura, que podem potenciar a atração de melhor talento.

Hoje, todos os intervenientes no processo, Recrutador e Candidato, devem ter um papel proativo durante o processo de Recrutamento, sendo ambos responsáveis pelo sucesso do mesmo. De um bom processo de recrutamento depende o sucesso da função.

 

Headhunting: No que consiste e como funciona?

Headhunting (também conhecido como Executive Search), pode ser considerado como uma forma mais estratégica de Recrutamento do Recrutamento & Seleção, uma vez que está direcionado para a atração de talento para funções estratégicas e de grande impacto nas organizações. Não sendo de todo uma metodologia recente, diferencia-se claramente ao recrutamento tradicional, feito através do anúncio de emprego. O desafio é atrair talento através de uma imersão ao mercado, fazendo uma análise exaustiva do mesmo, identificando potenciais candidatos dentro dos setores target, de forma direta. Posteriormente, interessa conhecer os melhores profissionais do mercado, de forma aprofundada e holística, para selecionar aqueles que para além do match com o job description, reúnem o fit com a cultura da empresa em questão.

 

Em que setores, e para que funções, há uma maior dinâmica via este recrutamento?

Atualmente os setores do turismo, real estate e financeiro estão a ter muito dinamismo. Em termos funcionais assistimos a uma enorme procura de pessoas ligadas à área de Risco, Segurança, Digital Marketing, User Experience, Data Science, Cybersecurity, Business Intelligence. Os profissionais de Recursos Humanos e Comunicação Interna têm tido também muita procura, pela necessidade crescente das empresas reterem e desenvolverem talento.

Em termos de negócio vamos assistir a uma profunda transformação do setor financeiro, com a emergência de Open Banks, as fusões no setor Segurador, e com o crescimento progressivo dos canais de venda online, em detrimento dos canais presenciais. Vamos consolidar-nos como um país agregador de centros de serviços globais e assistir ao crescimento de alguns polos industriais no interior, centro e norte do país.

 

Como se devem preparar (que características devem reunir) os profissionais que querem chamar a atenção dos headhunters?

Nunca as carreiras foram tão diversificadas como hoje em dia. O mercado está em completa movimentação de talentos, há cada vez mais empresas à procura das pessoas certas para os sítios certos. Por esse motivo, é fundamental que quem pensa em mudar de vida, pense naquilo que o faz mais feliz, que mais o realiza e onde poderá aportar mais valor.

Neste sentido, há que ter em conta não só as competências técnicas, mas principalmente as motivações de cada um. Todas as pessoas, sem exceção, enfrentam diferentes momentos durante os seus percursos profissionais. Há desafios trazem mais realização que outros; há desafios que motivam a novas descobertas e preferências profissionais. Há momentos em que a vida pessoal muda e dá uma outra perspetiva sobre o trabalho.

Além disso, mudar de carreira pode ser para algumas pessoas um desafio aliciante, mas para outras, algo que traz um enorme desconforto. Por esse motivo é importante ter a noção de que estas mudanças são cada vez mais comuns, e que trazem benefícios para ambas as partes: empresa e candidatos. Para as primeiras, ao contratar novos profissionais, estão a fazer com que a Organização ganhe outras perspetivas, competências e experiências, e para as segundas, ao aceitarem um novo desafio – que seja o mais acertado para si – estão a realizar-se pessoal e profissionalmente.

Em qualquer situação de procura de emprego, a autenticidade da pessoa é fulcral. A esta autenticidade está inerente a capacidade de fazer uma reflexão crítica prévia das competências adquiridas nas várias experiências (bem-sucedidas ou não) do seu percurso pessoal e profissional, assim como uma aceitação de que cada pessoa tem pontos fortes e aspetos a desenvolver, passíveis de melhoria. Desta forma, o exercício de reflexão pessoal, a articulação das suas experiências com as aprendizagens adquiridas, e conseguir comunicá-las clara, assertiva e sucintamente, em contexto de entrevista, é algo que contribui o sucesso da mesma.

Esta foi a reflexão da nossa Partner Filipa Leite Castro sobre Headhunting, para um caderno especial do Jornal Económico. Notícia completa aqui.