Work Life Balance – A New way of feeling

É reconhecido e está comprovado que aqueles colaboradores que atingem um work life balance equilibrado, isto é, que conseguem ter uma carreira profissional sem comprometer o seu tempo pessoal, conseguem trabalhar mais eficientemente e estão mais comprometidos com a sua empresa.

“[…] sinto que existe um espaço de oportunidade para as empresas se tornarem mais flexíveis e, assim, mais competitivas, dando oportunidade a cada indivíduo de ser pai ou mãe, ou de abraçar outros objetivos pessoais, mantendo um papel relevante nas organizações.”

O chamado work life balance passa por conseguirmos conjugar a nossa vida profissional com todas as outras variáveis da nossa vida pessoal, ou com os nossos outros papéis na sociedade. Há uns anos, a maior parte de nós olharia para este conceito como representativo de alguém com poucas motivações ou objetivos profissionais. No entanto, esta opção de vida começou a ter o seu boom nos Estados Unidos da América em finais dos anos 90 e, o que surpreendeu muitos, é que esta opção vinha essencialmente de profissionais de topo ou de middle management, eles que sempre tiveram ambiciosos e ousados objetivos profissionais.

Parece-lhe estranho? Há uma tendência para dizermos rapidamente que sim, mas, se tivermos em conta que o consumo massivo das últimas décadas não alterou os ânimos das populações, e que essa insatisfação levou a que alguns indivíduos desta sociedade global se virassem mais para si próprios em busca do equilíbrio e da felicidade, torna-se mais fácil de compreendermos.

“[…] sabendo que as novas gerações privilegiam e valorizam a um nível superior um work-life balance ajustado, o mundo corporativo deverá realizar que, para contratar os melhores, terá de apresentar uma proposta de valor que não passe apenas por contratos milionários e bónus “chorudos” … É preciso privilegiar e proporcionar a diferença, flexibilizar e aceitar a individualidade de objetivos de cada um.”

Foi assim que começámos a assistir às escolhas de executivos em trocar regalias, como carro e prémios, por outras opções, como um horário de trabalho mais reduzido, de forma a usufruírem mais plenamente do seu tempo pessoal. No entanto, estas opções, raras no passado, encontram novos “prescritores” no presente e uma nova geração em busca de outros ideais, pelo que as organizações já se começam a mostrar mais flexíveis perante estes cenários. Empresas como a Accenture, por exemplo, promovem programas para agilizar o work-life balance que nascem numa perspetiva bottom-up, questionando os seus colaboradores sobre formas e ideias para facilitar a prática deste equilíbrio. Também a Unisys desenvolve iniciativas de recrutamento com horário flexível, contratação em part time, job sharing, semanas de trabalho condensadas e teletrabalho. Estes são alguns dos exemplos que tornam possível pensar numa vida profissional mais flexível e, logo, com uma possibilidade de work-life balance mais viável.

Por outro lado, estando conscientes de que as carreiras atingem o seu pico entre os 30 e os 40 anos e sendo esta a fase mais importante de dedicação para alcançarmos funções no centro de decisão, as mulheres deparam-se assim com um desafio acrescido, pois esta representa igualmente a fase mais exigente em termos familiares. A deputada italiana Lucia Ronzulli é uma boa imagem dos novos valores desta geração, tendo levado a sua filha de apenas sete meses para o Parlamento Europeu, de forma a poder participar numa votação no dia 8 de março, Dia Internacional da Mulher.

A razão pela qual decidi escrever este artigo é porque sinto que existe um espaço de oportunidade para as empresas se tornarem mais flexíveis e, assim, mais competitivas, dando oportunidade a cada indivíduo de ser pai ou mãe, ou de alcançar outros objetivos pessoais, mantendo um papel relevante nas organizações.

No meu caso, e consciente de que sou um exemplo raro, consegui, através de um horário reduzido, numa determinada altura da minha vida, conciliar um dia a dia preenchido por desafios profissionais aliciantes e também ser uma mãe presente na vida diária dos meus filhos. E de que forma é que esta medida impactou o meu dia-a-dia?

  • Foquei-me no meu trabalho, sendo mais exigente comigo mesma e alcançando assim níveis de eficiência maiores;
  • Alimentando até hoje, uma lealdade invulgar com a empresa na qual trabalho por me permitir esta flexibilidade;
  • Conseguir um maior equilíbrio emocional, o qual tem influência direta na qualidade do meu trabalho.

Assim, a empresa tem um recurso mais barato, mais fidelizado e mais feliz. Neste sentido, parece-me positivo que numa altura de crise as empresas proponham estas soluções alternativas aos seus colaboradores, permitindo-lhes aumentar a eficiência e a redução de custos e, simultaneamente, garantir um maior engagement dos seus colaboradores, em particular, da população feminina.

Filipa Leite Castro