A importância do salário emocional na atração e retenção de talento

Num Mercado de trabalho cada vez mais competitivo, onde as empresas têm mais dificuldade em reter talento, já não é só o salário que importa. Pelo menos não o salário monetário.

As empresas têm procurado potenciar o seu employer branding, ambicionando lugares de destaque entre as “melhores empresas para trabalhar”.  Mas enquanto as organizações “lutam entre si” para conseguir a atenção dos melhores profissionais, é na retenção que está o verdadeiro desafio.

Se no passado um salário elevado e estabilidade eram suficientes para atrair e manter um bom colaborador na empresa, hoje já não funciona assim e grandes empresas como: Google, Facebook ou Apple vieram alterar o paradigma com o seu modelo de retenção que contempla um conjunto de benefícios e recompensas difíceis de ignorar, aos quais também se dá o nome de “salário emocional”.



O dinheiro por si só não pode deixar de ser um fator essencial, mas mais do que uma transferência bancária, os colaboradores sentem-se atraídos por uma cultura organizacional que promova o seu bem-estar e equilíbrio pessoal e profissional, o que pode ser decisivo na escolha de uma futura oportunidade profissional. 

Mas não cabe só às grandes empresas multinacionais marcarem o seu employer branding através da atribuição de compensações e benefícios. Também em Portugal parece haver uma crescente preocupação com a felicidade dos trabalhadores, sobretudo quando esta está diretamente relacionada com o compromisso, motivação, e assim também com a produtividade. Desde grandes grupos multinacionais até às start-ups, aliás, é nestas últimas que a preponderância do salário emocional (plano de carreira, flexibilidade de horários, ambiente informal) se tem mostrado mais evidente.

Apesar de os colaboradores mais jovens serem frequentemente considerados mais exigentes neste sentido, o conceito de “salário emocional” tem ganho transversalidade ao longo de todas as gerações. Se há algum tempo atrás a realização profissional era um conceito que remetia para estabilidade e um bom pacote remuneratório, hoje esta ideia estende-se por outras esferas no plano formativo (desenvolvimento), cultural e até mesmo pessoal.



O que algumas empresas oferecem no seu pacote remuneratório

Plano de carreira
O Mercado está mais competitivo do que nunca, fazendo com que os profissionais sejam constantemente abordados com propostas para novos desafios atrativos, o que pode resultar em elevado turnover mesmo nas empresas que apostam em medidas de retenção de talento. Um plano de carreira estruturado, que contemple novos desafios, formações e potencie o crescimento profissional poderá ser o suficiente para alimentar as expectativas dos mais ambiciosos e manter os colaboradores motivados e comprometidos.

Cultura de feedback 
Uma cultura de feedback contínuo e construtivo promove a comunicação transversal e além de permitir aos colaboradores um maior autoconhecimento e awareness de pontos fortes e áreas de melhoria para que as possam desenvolver, permite à empresa um maior conhecimento dos seus colaboradores.  Por um lado, a existência de uma comunicação aberta e bilateral permite às pessoas demonstrarem o que as motiva no ambiente organizacional, e por outro, permite ao empregador estar atento aos principais fatores de satisfação ou insatisfação, que poderão ser determinantes na hora de decidir mudar de emprego ou sair da empresa atual. 

Propósito
Segundo o Global Talent Trends de 2018 da Mercer, 75% dos inquiridos afirmaram que seria três vezes mais provável trabalharem em empresas com um elevado sentido de propósito. No mesmo estudo, de uma forma geral, foi praticamente consensual a ideia de que as organizações deviam focar-se em objetivos que contemplem uma melhoria da sociedade, o que relata uma crescente preocupação e de vontade de trabalhar com um “sentido de missão”. 

Flexibilidade 
FOMO para “Fear of Missing Out” é um conceito que surge com o desejo crescente de aproveitar todos os momentos importantes da vida e que se relaciona com o work-life balance. Uma maior flexibilidade de horários (e até home-office) permite aos colaboradores fazer uma gestão autónoma e pessoal do seu dia-a-dia e com isso, sentirem-se mais felizes, aumentando a sua dedicação à organização.

Momentos de lazer 
Está cientificamente provado que trabalhar oito a dez horas seguidas não é produtivo. Momentos de descontração e pausas aumentam a produtividade, criatividade e motivação dos colaboradores.
Muitas empresas já apostam em salas de jogos, almoços e jantares de empresa, e outros momentos de celebração que não só são uma ferramenta de marketing poderosa para o employer branding, mas também potenciam o team building e o bonding. 

Dias de férias
Até os mais comprometidos e motivados profissionais se sentem atraídos por acesso a mais dias de férias. Dias extra para formação, aposta em projetos pessoais, ou até mesmo descanso, tornam as pessoas mais motivadas e produtivas, o que torna menos provável a sua saída. 

Aposta na atividade física e saúde mental
Desde parcerias com ginásios até aulas de yoga, meditação e mindfullness, estas são também algumas das apostas de muitas empresas que se querem tornar mais atrativas. Com a crescente preocupação por um lifestyle mais saudável, estas medidas ajudam a quebrar a rotina do dia-a-dia e contribuem para o bem-estar físico, mas sobretudo mental de quem as pratica.

Incentivos à natalidade
Muitas organizações demonstram preocupação pela questão da natalidade. Berçários, jardins de infância integrados até licenças de paternidade prolongadas e horários reduzidos, são medidas que permitem aos colaboradores focarem-se no crescimento da sua família e terem estabilidade neste plano, sem prejudicarem a sua carreira.

Outros serviços
Além dos últimos, há organizações que providenciam serviços como lavandaria, cabeleireiro, entrega de medicação ou consultas, de forma a que os seus colaboradores consigam usufruir ao máximo do seu tempo livre, reforçando assim o salário emocional.


Cada vez mais se torna pertinente a combinação entre o salário monetário e o salário emocional, e estas representam algumas das componentes do pacote de remuneração que as organizações que apostam na valorização de talento poderão utilizar para atraírem e reterem as suas equipas, desde os mais jovens até aos mais séniores.

Rita Veiga

Partilhar

Posts em destaque