A Carreira gere-se mesmo antes do momento em que se entra no mercado de trabalho, quando na faculdade nos predispomos a fazer Erasmus, a integrar grupos de associativismo académico, voluntariado, a par da escolha das cadeiras optativas, do tema da tese e do local de estágio. (…) E quando quero mudar, o que devo fazer, quais os passos que devo dar para uma transição de Carreira suave e eficaz?
Nunca o termo Gestão de Carreira esteve tão em voga. O mercado de trabalho está a sofrer alterações disruptivas e os candidatos sentem, cada vez mais, necessidade de, a determinado momento, repensarem as suas carreiras. Seja por vontade própria, para empreender, para se adaptarem aos novos modelos de negócios seja por necessidade.
Assim, é importante pensar na questão da transição de carreira de forma estruturada e antecipada.
São muitos os que nos procuram na expectativa de uma solução milagrosa, com efeitos imediatos e eficazes. A Carreira gere-se mesmo antes do momento em que se entra no mercado de trabalho, quando na faculdade nos predispomos a fazer Erasmus, a integrar grupos de associativismo académico, voluntariado, a par da escolha das cadeiras optativas, do tema da tese e do local de estágio. Iniciando-se assim o percurso profissional num abrir e fechar de olhos. A partir daqui tudo conta, as formações complementares, os mestrados, pós-graduações e MBA´s que nos conferem os graus de especialização, os projetos e as equipas onde estamos inseridos que nos desenvolvem as competências técnicas e comportamentais, a internacionalização da nossa carreira e a forma como nos posicionamos no mercado.
E quando quero mudar, o que devo fazer, quais os passos que devo dar para uma transição de Carreira suave e eficaz?
Balanço da minha Carreira: o primeiro passo é, e será sempre, uma reflexão pessoal e profissional sobre o meu perfil pessoal, as minhas motivações e expectativas, equilibradas com aquele que é o meu perfil de competências adquiridas ao longo da minha experiência profissional. Uma reconversão de 180º é sempre mais difícil de fazer, não é impossível, mas para isso é importante preparar-se para alguma resistência do mercado que acaba, na maioria das vezes, por optar por profissionais com adaptação mais imediata à função.
É importante que ao longo deste processo procure um bom Advisor, um Recruiter experiente no mercado de trabalho que o poderá ajudar a fazer o seu balanço de carreira, a potenciar os seus pontos fortes e nivelar expectativas.
Definir objetivos profissionais, linhas de orientação sobre o pretende fazer no futuro, definindo prioridades e criando etapas para este processo de transição. É importante criar métricas bem definidas que o ajudem a medir a produtividade deste processo e que no futuro lhe permitam perceber as metas alcançadas e os desvios. É nesta fase, que, a par de uma análise SWOT (onde se compara com os seus concorrentes diretos e recolhe informações sobre a sua profissão e setor), começam a definir os targets, as empresas alvo, para as quais vou direcionar todos os esforços.
Entramos na fase de construir as ferramentas de Marketing Pessoal, reformular o CV, adaptar o antigo modelo de carta de apresentação, para um texto criativo e sintético que seguirá no corpo do e-mail. A par disto, e cada vez a ganhar mais relevo junto dos recrutadores, constrói-se um perfil LinkedIn forte e apelativo, que tenha as key-words que espelhem o seu percurso e que cativem empregadores e recrutadores.
Depois de construídas as ferramentas, está na hora de as fazermos chegar ao mercado, de desenvolver uma estratégia de Comunicação que permita deixar uma mensagem clara e inequívoca de quem é enquanto profissional, que o diferencie e posicione para esta nova etapa. Nesta fase, exploram-se os benefícios de alargar a rede de contactos, de estabelecer um número significativo de contactos com empregadores e recrutadores. Estudam-se os meios e as fontes de recrutamento e, inevitavelmente, nos dias de hoje, vamos centrar-nos nos canais online, mas também importa dizer que continuamos a ter um número significativo de oportunidades no “passa a palavra” através da rede de referenciação. Assim sendo, não descure a importância do networking, de estabelecermos novos contactos, reativarmos antigos, e fortalecermos esta rede, que acontece muitas vezes através da partilha de informação relevante e troca de ideias.
E se tudo correr bem, está a entrar numa fase em que começa a participar em processos de recrutamentos (lembre-se que nestas etapas muitas fases sofrem alterações e que os últimos dados do IEFP revelam que tempo médio de recolocação no mercado em Portugal ainda está acima dos 12 meses). A fase das entrevistas é uma das etapas mais desejadas, mas também a mais temidas pelos candidatos, nesta altura todos os detalhes contam. É importante conhecer os elementos chave a ter em consideração, antes, o durante e após a entrevistas. Desde a preparação para o momento da entrevista, onde deve ser feito um trabalho prévio de pesquisa sobre a empresa e a função, procurar saber quem será o recrutador, preparar cuidadosamente o discurso e a apresentação, até à expectável pontualidade do momento. Para brilhar na entrevista, é fundamental estar atento à postura, não deixar que a linguagem não verbal o traia, mantenha o foco e responda ao que é perguntado sem divagação, mantendo um discurso positivo e transparente sem esquecer de fazer as perguntas válidas. No final da entrevista, é hora de agradecer, pedir feedback e manter o otimismo.
E se chegou a hora da tão esperada transição, então parabéns, e não, a viagem não parou, afinal já percebemos que não há empregos para a vida! Tire o máximo de partido deste processo de transição. Agradeça e informe todos os que estiveram envolvidos neste seu processo de mudança, agora sabe o quão importante é ter uma boa reputação no mercado. Planeei de forma estruturada o início do novo projeto e a entrada na organização, quanto mais informação recolher sobre a empresa e a sua função, maior será a probabilidade de obter êxito, leia muito!
Ao longo do tempo, lembre-se que estas necessidades de mudança são cíclicas, e por isso não se deixe adormecer, garanta que:
Faz tudo o que lhe compete para evoluir como profissional, que se adapta aos seus postos de trabalho com criatividade, sem nunca se deixar acomodar;
Não esqueça de estudar continuamente o seu meio envolvente e acompanhar as tendências de mercado, poderá pontualmente sentir a necessidade de fazer um refresh dos seus conhecimentos;
Redefina ocasionalmente os seus objetivos profissionais e mantenha a sua estratégia de comunicação atualizada e adaptada aos diferentes interlocutores.
Votos de uma rápida e eficaz transição de Carreira!
Texto de Joana Carvalho