A Força do Hábito

"É força do hábito!" é uma expressão que usamos inúmeras vezes no nosso dia-a-dia, de forma automática, instintiva que na realidade se pensarmos bem e refletirmos, um hábito tem mesmo muita força!
E o que é um hábito? No dicionário da língua portuguesa uma das definições que encontramos é: "tendência ou comportamento, geralmente inconsciente, que resulta da repetição frequente de certos atos; rotina; automatismo". É realmente um ato ou comportamento por nós repetido inconscientemente, na maioria das vezes, aos longo de anos. E é por isto que é tão difícil alterarmos os nossos hábitos!
 
Numa pequena "imersão no mundo dos hábitos", através da leitura do livro "Hábitos Atómicos" de James Clear, tive oportunidade de conhecer mais sobre este tema que, pode parecer menos óbvio, mas que tem muito de interessante e de útil para o nosso dia-a-dia, pessoal e/ou profissional, sobretudo, se quisermos fazer mudanças na nossa forma de encarar o quotidiano e até de atingir determinados objetivos.
O processo de automatizar atos ou comportamentos é um processo benéfico para nós enquanto seres humanos, porque desta forma, conseguimos "libertar" o nosso cérebro, a nossa mente, para ações que realmente impliquem pensamento, reflexão, que envolvam energia. A criação de hábitos é nada mais do que uma forma eficiente de "arrumarmos" a nossa mente e fazer com que despenda menos energia em determinadas ações. Por isso, ao longo da nossa vida vamos automatizando comportamentos que surgem em resposta a determinada situação, e isto acontece praticamente sem nos apercebermos. Como sabemos, ao longo da vida não vamos adquirindo somente bons hábitos, mas também maus hábitos. Esta classificação cabe a cada um de nós, é uma avaliação que fazemos dos nossos comportamentos automatizados, tendo por base os objetivos que temos definidos. Por exemplo, consideramos um bom hábito, fazer alongamentos e alguns exercícios de baixo impacto ao acordar mesmo antes do pequeno-almoço e, consideramos um mau hábito se, ao acordar fumarmos um cigarro, isto se o nosso objetivo for seguir um estilo de vida saudável.
Importa perceber que os hábitos podem funcionar a nosso favor, como também contra nós, por isso é importante perceber pormenores, pequenos comportamentos ou ações que fazem parte de um hábito maior. E se queremos efetivamente transformar maus hábitos em bons hábitos, temos que fazer mudanças conscientes no nosso comportamento.
Mas como podemos nós alterar comportamentos tão enraizados? Não é fácil, mas é possível.
Sermos pacientes e resilientes faz também parte do processo.
 
Fazer pequenas mudanças de cada vez, confiando sempre no resultado e sem recuar: se exercitar os braços todos dos dias de manhã, consecutivamente ao longo de 5 semanas, provavelmente não me aperceberei dos resultados até aí alcançados, mas ao final de um ano, não terei dúvidas dos resultados alcançados - os efeitos dos pequenos hábitos acumulam-se com o tempo.
 
Eis algumas regras para criar melhores hábitos:
 
1 Tornar o hábito evidente - tomar consciência dos hábitos atuais, escrevê-los, classificá-los e elencá-los a um local/momento; introduzir o novo comportamento logo a seguir a um comportamento antigo; criar um ambiente propício para induzir ao novo comportamento;
 
2 Tornar o hábito atrativo - associar uma ação que queremos fazer a uma outra que precisamos de fazer; criar um ritual de motivação: fazer algo de que gostamos imediatamente antes de um hábito difícil;
 
3 Tornar o hábito fácil - diminuir o número de etapas que nos separa dos nossos bons hábitos; preparar o espaço à nossa volta para tornar mais fácil ações futuras; regra dos 2 minutos: reduzir a dimensão dos nossos hábitos até conseguir realizá-los em 2 minutos (devemos primeiro dominar o início de um hábito, pois o hábito tem que ser primeiro criado, para depois ser melhorado); é mais importante o número de vezes que já realizamos um hábito do que há quanto tempo ele acontece;
 
4 Tornar o hábito gratificante - usar reforço: assim que cumprirmos o novo comportamento, devemo-nos presentear com uma recompensa; tomar nota da frequência com que vamos realizando um hábito e não quebrar de todo a série/sequência; não falhar duas vezes: sempre que nos esquecermos de cumprir um hábito, devemos voltar de imediato a esse comportamento.
 
A vantagem dos hábitos é que conseguimos fazer coisas sem as pensarmos, mas a sua desvantagem é que também facilmente podemos deixar de reparar em pequenos pormenores, alguns deles erros ou falhas, que podem tomar dimensões devastadoras no nosso dia-a-dia. Desta forma, é importante refletirmos e termos um sentido crítico acerca dos nossos comportamentos, do nosso desempenho e do rumo que pretendemos seguir.
 
Este processo de mudança é contínuo, não existe propriamente uma meta, no fundo o objetivo é procurarmos fazer sempre melhor, de forma mais eficaz e eficiente.
Aqui o processo conta, o método é o mais importante, pois pequenas mudanças conduzem a grandes resultados!
 

Por Carla Figueiredo


 
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